ANÁLISE POLÍTICA 14 de Janeiro

POSSE

Marcelo Csettkey

MEMÓRIAS DO CÁRCERE
O ex-presidente Lula mandou que Gleisi Hoffman pare de bater em Bolsonaro. Segundo ele, o atual presidente “vai se afundar sozinho”.

CEARÁ SOB FOGO CRUZADO

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Ainda é muito crítica a situação do Ceará, com ataques intensos há quase 15 dias. O risco é iminente que episódios de violência como esses possam se espalhar pelo país. O Ceará seria um ensaio do que pode acontecer em várias outras capitais do País. Caso isso ocorra, não haverá Força Nacional suficiente para conter.

O setor turístico já sentiu os efeitos e a população local está acuada e amedrontada.

A gravidade dos ataques escancara o poder das facções criminosas. Não apenas bélico, mas também financeiro. Estima-se que cada garoto usado pelas facções para explodir ônibus ganhe de R$ 1.000,00 a R$ 5.000,00 por ônibus incendiado.

A bomba jogada sobre o telhado de uma concessionária de automóveis pode não ter sido uma ação isolada e aleatória, já que esta vendeu muitos automóveis para o governo do Estado. Não parece somente uma questão ideológica, mas que envolve disputas financeiras.

REAÇÃO NECESSÁRIA
O país precisa de segurança jurídica e programas sólidos de segurança pública. Caberá também à sociedade civil exigir do Congresso mais agilidade na aprovação de medidas que buscam mitigar a criminalidade endêmica, como o Projeto de Lei (PL272/2016), do senador Lasier Martins (PSD/RS), que tipifica episódios como os do Ceará como terrorismo.

DISCURSO (RE) AFINADO

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Aparentemente os ministros Paulo Guedes e Onyx Lorenzoni afinaram o discurso, pelo menos na possibilidade em realizar a Reforma da Previdência. No entanto, o presidente Bolsonaro mantém a sua posição: coração grande e silêncio.

Até o momento, todos estão concordando com a Reforma da Previdência. Só o PT ainda não emitiu opinião.

PRESIDENTE EM CAMPO
Bolsonaro entrou em ação para diminuir o atrito entre Onyx Lorenzoni e Paulo Guedes. As rusgas foram controladas e ambos saíram da reunião como amigos de infância.

NÃO SE PODE SERVIR A DOIS SENHORES

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Rodrigo Maia perdeu o apoio do PT, do PSB e do PC do B, mas ganhou o apoio de todos os partidos que estão em volta de Bolsonaro.

Ele dá a impressão de ter sido auxiliado por algum estrategista, apresentando mais força que realmente tinha diante da oposição. A manobra incluía mostrar um doce para os que estão com Bolsonaro, conquistando assim o apoio da pretensa base do governo.

Ninguém da imprensa está prestando atenção aos movimentos do deputado Fabio Ramalho (MDB-MG), que pode ser a surpresa dessa eleição.

RENAN MANTÉM A DIANTEIRA

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Tudo indica que Renan Calheiros terá o apoio de toda a bancada do PT e de todos os senadores que cumprem mandato com encerramento em 2022, garantindo assim que será o presidente do Senado e do Congresso Nacional.

CONFUSÃO NO FRONT

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O episódio da Apex precisa ser lembrado mais como uma confusão que um despreparo das autoridades do governo Bolsonaro. Alex Carreiro nem deveria ter assumido a presidência, dada a sua total incompatibilidade com o cargo, para dizer o mínimo.

Ao se recusar a deixar o cargo e, ainda, reclamar com o próprio presidente da República, mostrou que está a anos-luz de distância de um cargo dessa natureza.

ARMAS EM PUNHO
Estamos aguardando o decreto que flexibiliza a compra e posse de armas.

MAIS UM GENERAL PRESTIGIADO
Nessa semana o general Santa Rosa assumirá a Secretaria de Assuntos Especiais-SAE, ligada diretamente ao presidente da República. O general é discreto, competente e bastante considerado no Exército Brasileiro.

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Embora seja um cargo de segundo escalão, a presença do presidente da República, do vice-presidente e dos ministros da Casa na posse mostra o prestígio que Bolsonaro está atribuindo ao novo ocupante. A Secretaria tem a responsabilidade em pensar e planejar o futuro do Brasil.

Em breve, essa predileção pode transformar a Secretaria em ministério. Seria bastante justo, já que se trata de assessoria direta ao presidente, que vai manter o foco em planejamento estratégico. Esse fato poderá gerar outra fonte de conflito com Paulo Guedes.

ELEGÂNCIA E FIRMEZA DO GENERAL

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O secretário de governo, General Santos Cruz, concedeu uma longa entrevista à jornalista Miriam Leitão, das Organizações Globo. Dentre os assuntos abordados, com elegância e muita sagacidade, o General desmontou o discurso de Miriam sobre o MST.

Ao ser questionado sobre o destino de terras improdutivas, Santos Cruz foi direto: “Improdutivas no conceito de quem”? Mostrou, sobretudo, saber muito mais que a jornalista esperava, sem se esquivar dos temas polêmicos. E deixou claro que a lei deve servir a todos, não apenas a grupos usados “como massa de manobra para perpetuação no poder”.

Miriam Leitão ainda nutre uma ideia medieval sobre os militares, mas foi surpreendida por um homem articulado, inteligente, que fala com delicada firmeza sobre qualquer tema contemporâneo. Ela quase confessou que está muito triste com a existência do Twitter.

FIM DE UM CAPÍTULO VERGONHOSO

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Emblematicamente, o italiano Cesare Battisti foi preso fora do território brasileiro. Estava na Bolívia, segundo o jornal Folha de São Paulo. A nova diretoria da Polícia Federal considera essa uma das mais fracassadas operações da história do órgão.

No meio da tarde de domingo, representantes do governo italiano anunciaram que a extradição seria diretamente Bolívia / Itália. O meio diplomático garante que o italiano deveria ter passado pelo Brasil.

Nos bastidores, comenta-se que o governo italiano temia que, no Brasil, o condenado tivesse à sua disposição um aparato jurídico que pudesse postergar a extradição, como um habeas corpus. E havia mesmo. Estava tudo preparado, inclusive a escolha do juiz. Ninguém menos que Marco Aurélio de Mello.

Há quem garanta que as negociações entre Itália e Bolívia envolveram bem mais que conversas. Uma fonte, que acompanhou de perto toda a movimentação desde as primeiras horas da madrugada de domingo, considera que o governo bolivariano pode ter recebido algo, além de agradecimentos.

FALTA NOTÍCIA

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A tradicional falta de noticias para manter a imprensa nessa época do ano está fazendo com que se valorize demais a posição do filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro.

Ele tem trânsito no Palácio e nas reuniões que acontecem em Brasília, mas apenas como ouvinte. Quem decide é o presidente.

MOTORES ACIONADOS, MAS A AERONAVE ESTÁ EM SOLO
Setores radicais à esquerda estão intensificando as críticas sobre a gestão Bolsonaro, esquecendo que o governo tem menos de 15 dias na cadeira. Enquanto os cães ladram, a caravana de Paulo Guedes continua impressionando o mercado, que se mantém otimista com as perspectivas. Os índices da Bolsa se mantiveram em alta durante toda a semana e o dólar caiu a um patamar mais civilizado.

TOFFOLI 2 X 0 MARCO AURELIO DE MELLO

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Mais uma decisão monocrática do ministro do STF, Marco Aurélio de Mello, foi derrubada pelo presidente da casa, Dias Toffoli. Em dezembro, o ministro assinou uma liminar, a pedido do PT, para suspender o Decreto 9.355/18, que estabelece regras para a venda dos direitos de exploração de campos de petróleo e gás das subsidiárias da Petrobrás.

A Advocacia Geral da União-AGU entrou com recurso e, no plantão do STF, Toffoli julgou que a liminar prejudica a empresa e impede parcerias com outras empresas. O ministro justificou seu veto argumentando que a suspensão do decreto representa “risco de gravíssimo comprometimento das atividades do setor de petróleo”.

A politização do STF chegou a um nível preocupante de comprometimento da reputação do órgão que, por natureza essencial, tem a missão de equilibrar as forças entre os poderes.

É importante relembrar que ambas as decisões do presidente da Casa foram diretamente contra os interesses do PT, berço de sua carreira no Judiciário. E a favor do Poder. Mudança dos ventos?